18 de ago de 2010

no sonho de quem
você vai e vem
com os cabelos
que você solta?
(chico buarque)


Às vezes eu gosto de adentrar madrugada estudando, escrevendo, ficamos o silêncio do mundo e eu. No antigo apartamento, ficávamos eu e o barulho da Bela Vista: cachorro, buzinas, de vez em vez um sambinha rolando na quadra da Vai-vai, carros e mais carros rumo à Nove de Julho. Mas aqui, na divisa Pinheiros-Jardins, cujo "quintal" são as belas casas da elite paulistana, somos o silêncio do mundo e eu. Ouvi agora um barulho do caminhão, deve ser coleta de lixo. O barulho não passa disso, nem os cães ladram de madrugada.
E de vez em quando eu gosto. Agora mesmo, escrevi um bocadinho mais. O mestrado foi todo assim, a fase de escrita: só funcionou madrugada adentro. Mas o doutorado não será. Afinal, são quatro anos de processo. E além, hoje tenho cama conjunta com marido gostoso, quentinho e aconchegante, motivo suficiente para eu querer dormir em horários ditos normais. Além do afinal, teremos filho, e se eu passar madrugada em claro não será necessariamente para estudar. Então essa vida de madrugada adentro não deverá ser a regra de estudo. Mas às vezes, é absolutamente necessária para eu concentrar. Hoje foi.
E hoje, eu senti bastante, a minha vontade crescente de ter um filho.

Um comentário:

Francisco Lima disse...

Gosto de quando você descreve os seus silêncios. Tem qualquer calma de João Gilberto neles.
Francisco