hoje consegui uns poucos minutinhos para sentar em frente ao computador, a pequena no sling. Mas minhas costas reclamam, deve levantar logo, e quem sabe tentar dormir um pouquinho com ela, para mais tarde encarar a maratona que tem sido as madrugadas da pequena.
5 de out de 2011
29 de ago de 2011
Vendo o link para meu blog no Terapia Zero, tomei um susto: última atualização há seis meses atrás. Eu sabia que tinha sumido muito daqui, mas não sabia que era tanto.
Li o último post, em que eu falava de paciência para levar a gravidez, o doutorado, esse tudo junto da vida. E agora, a poucos dias do nascimento da minha menina, devo dizer que tudo correu tão bem, que nem sei se precisei tanto da bendita paciência. Ou a tive assim, espontâneamente. Não sei.
Tudo corre muito bem comigo. E hoje senti vontade de escrever sobre minha vida de mãe, essa mãe que vou me tornar, segundo meu obstetra, a qualquer momento.
21 de fev de 2011
"falam tanto de uma nova era
quase esquecem do eterno é"
gilberto gil
Hoje acordei com um mal estar daqueles. Fiz tudo direitinho, tomei um bom café da manhã, tentei almoçar direito - digo tentei porque o enjôo não deixou a tentativa vingar. Tenho uma lista enorme de coisas para fazer, que vão de organizar o casamento à terminar uma versão do meu projeto de doutorado. Tendo, no meio disso, que arrumar o escritório que está um caos, marido quase não consegue entrar. Mas minha disposição, alheia a todos os afazeres, resolveu sair para passear, e cá estou: quase dormindo.
Aí releio o "roteiro" de orientações de pré natal que a obstetra me mandou. Sobre enjôos e indisposição, ela diz que é preciso ter paciência. E não é isso mesmo? E não apenas sobre enjôos e indisposição. Acho que o que mais terei de exercitar daqui pra frente é a paciência. Paciência com o que eu não sei, com o que não consigo. Vai parecendo que conciliar doutorado e gravidez só com muita, mas muita paciência. Achei que ia precisar de disposição; que nada. Vou precisar de paciência para suportar aquele momento em que as coisas simplesmente não andam. E não há muito o que fazer. Como enjôo. Melhor esperar passar.
Então penso numa conversa que tenho tido com uma amiga por email, sobre o lado B da gravidez. Sobre o fato de que engravidar (e ser mãe, já que seu bebê já tem um aninho) é maravilhoso, é tudo aquilo de legal e incrível que todo mundo fala, mas é também difícil, estranho, cansativo, cheio de medos, e dúvidas, e aquela pergunta que não cala: será que eu vou dar conta?
Eu sei que vou. Sei que muitas e muitas mulheres estão dando conta de suas crias e suas vidas desde sempre. Mas se permitir a dúvida, a pergunta, e ter paciência com a resposta, esta talvez seja a melhor "orientação".
14 de fev de 2011
"eu vou mudar de profissão
eu vou ser cantor
eu vou pr rio de janeiro
num expresso brasileiro, seu dotô"
djavan
Adoro Djavan. Devo dizer logo, que não é necessariamente pela qualidade das músicas - ou das letras, tão controversas - adoro Djavan somente porque lembra um momento muito bom da minha vida. Com isso, digo que a coisa é passional.
Aí penso na minha relação com o Rio de Janeiro. Também marcou bons momentos da minha vida as idas ao Rio de Janeiro, de 2001 a 2006. Bom tempo da vida - a casa dos vinte anos - boa amiga que por lá morava. Muito samba e passeios. Isso sem contar as idas ao Rio na infância, pra visitar o primo.
Então que eu criei uma relação idealizada com o Rio. Acho que seria mais feliz se morasse lá. Acho impossível, na verdade, não ser feliz com aquela praia, aquelas pedras, aquela vista, né? Pra onde se olha, tem uma vista linda. Ontem, do banheiro do Santos Dumont, tinha uma vista linda. Ai eu idealizo. E sempre acho que felicidade, mesmo, é morar no Rio.
Ou será tudo culpa da Rede Globo?
1 de fev de 2011
"beira do mar
lugar comum
começo do caminhar
pra beira de outro lugar"
Pensava eu nos últimos dias: esse sono que eu sinto é uma coisa absolutamente descomunal, não é possível que seja normal isso. E as mulheres que trabalham todos os dias, em escritórios, em lanchonetes, restaurantes, lojas, etc., etc., etc.? Como fazem, ficam dormindo pelos cantos?
Pois é, não sei como elas fazem ou fizeram. Aí penso nesse tempo maluco do mundo, que não condiz com o tempo natural das coisas. E me parece que, no caso da gravidez, o tempo natural se impõe de tal forma que fica realmente difícil não sucumbir e simplesmente dormir. Médica me disse pra dormir o quanto puder, porque estou produzindo o principal nos primeiros meses. E produzir gente realmente não é mole não. Mas de novo, como fazem as tantas e tantas mulheres que dão duro nesse Brasil?
Claro que nem todas devem sentir o mesmo que eu sinto. Cada pessoa reage de uma forma, sabe-se disso. Apesar de muitas e muitas mães me dizerem o mesmo, o sono era implacável nos primeiros meses - ao contrário do enjôo, que outras muitas me dizem não terem sentido nadica. Então que sono vem mesmo, e a indicação é dormir o quanto for possível. E eu passo a achar ainda melhor esse meu momento, em que trabalho em casa, posso fazer meus horários, dar quantas pausas precisar, correr pra minha caminha que fica tão pertinho do escritório.
Assim que soube da gravidez, pensei: podia ter esperado um pouquinho mais, engravidar no fim do ano, fazer todas as disciplinas do doutorado, me programar melhor, sei lá, que susto, mas já, como vou fazer agora, com tudo ao mesmo tempo?
Mas agora penso que veio exatamente na hora certa. Tempo de aproveitar esse começo, tempo mais calmo na vida, de menos trabalho, de correr com o casamento que de repente ficou simples de organizar, e tá quase pronto, e a gente mudou a lua de mel da Turquia pra Fernando de Noronha e estamos adorando. Enfim, tudo no seu tempo, no meu tempo, no tempo que tem pra se fazer as coisas e fico pensando, por fim, que esse se, que nos indaga, "e se fosse assim, ou assado?", esse se não existe. Então é hoje. E hoje, vou te dizer, o sono está indescritível. Vou ter que adiar um bocadinho o trabalho no meu projeto de doutorado.
30 de jan de 2011
Muito enjôo. Mas isso já era de se esperar. Se eu sempre enjoei de manhã, por nada, imagina grávida.
E aí que tenho descoberto aliados. Abacaxi, laranja e limão. E kiwi, esse em menor grau, mas também ajuda. No twitter, aprendi a tomar sumo de limão com pouquíssima água e sem açúcar. Adianta, mas nem sempre. Porque aí vem a segunda parte, que eu sempre achei que era lenda: grávidas têm repulsa e desejo no que se refere aos alimentos. Gente. É pura verdade. Quer dizer, tem grávidas que não sentem nada, minha prima não sentiu, minha sogra também não. Mas tem aquelas que comprovam as lendas. As tornam fato. Esta sou eu. Tenho repulsa e desejo por alimentos, assim, todo dia. Às vezes sumo de limão me causa repulsa. Às vezes, adoro.
Outra coisa que aprendi no twitter: gengibre é bom para enjôo. Perguntei se tomava um chá, não, não. Sinto o cheiro, ou coma. Balinhas também são bem vindas. E não é que dá certo? Cheiro de gengibre tem sido vida pra mim.
Ah, e o melhor: nunca na minha vida comi tão pouco. Bocadinho mesmo de comida, pouquinho, e já tô satisfeita. Como umas dez vezes por dias, mas só de bocadinho. Essa parte podia ficar sempre assim.
27 de jan de 2011
se não nascesse gente,
se não nascesse gente,
como seria se não nascesse gente?
karnak
Pois é, tenho vindo pouco por aqui, mas quando apareço, sempre com grandes notícias. E de hoje vem com uma pergunta que aparece algumas estrofes depois na música que toca nesse post: será que vai ser menino, será que vai ser menina?
Enjôo, náusea, muito sono e quem sabe, muito assunto nesse blog daqui pra frente.
19 de dez de 2010
Tanto tempo sem escrever porque, entre outras coisas, eu estava devendo o fim da série diário de viagem. Mas. Eu sou tão displicente com esse blog que, claro, não honrei a dívida. Nenhuma dívida, nem aquele blablablá de que eu voltaria a escrever com frequência, qual o quê.
Aí que nem contei que passei no doutorado, que faz tempo, e ainda tô feliz com isso. Não contei que vou à posse da Dilma, e antes, à Chapada dos Veadeiros. Não contei que marido e eu estamos com a carteira de habilitação vencida e nos demos conta tão em cima da hora que não poderemos alugar carro em Brasília e nossa, isso tá meio que sendo nosso drama atual.
E que eu cheguei a conclusão que férias em novembro é muito complicado, porque eu volto e é dezembro, quase natal, e meus deuses. Como é difícil voltar de fato. Enfim. Uma luta aqui pra pegar no tranco, mas já tô jogando a toalha, afinal, se o shopping tava vazio ontem, sendo dezembro, é porque o ano acabou mesmo. Não tem porque pegar no tranco agora, vamô combiná.
12 de nov de 2010
Diario de Viagem III
04 a 07/11/2010: Firenze
Foram quatro dias nessa cidade magnífica que é Firenze, e eu poderia ter escrito logo, para não perder nada. Não o fiz e agora me escapam varias coisas; mas em suma, adorei muito a cidade, me senti muito bem na Itália (em alguns poucos momentos lembrei-me da querida Bela Vista, minha casa por quatro anos). Os monumentos todos, a catedral principal de Firenze, que fica na Praça do Duomo, e é a coisa mais magnífica que já no que se refere ao assunto catedral (também não vi muita coisa mundo afora, mas enfim marido já viu e conmpartilha). Majestosa, lindíssima, com um batistério igualmente magnífico. Impressiona mesmo.
E a comida... Olha. Paris é uma maravilha da culinária, como se sabe. Mas em Paris, muitas das vezes a comida é uma novidade. Se eu já conheço, já comi, na maioria das vezes não é trivial, não como em casa toda semana, etc. e tals. Já na Itália, a maioria das coisas que comi me são muito familiares. Eu cozinho ótimos risotos em casa, boas massas e bons molhos. Mas. Não faço o melhor risoto de funghi porcini que já comi na vida. Tampouco o melhor tagliatelle salteado na manteiga de um jeito tão primoroso que vou te contar, não empapa a massa nem um tiquinho que seja. Então, eu comi coisas maravilhosas na fonte, por assm dizer. E a fonte não me deixou nem um pouco desapontada, ao contrário. Comi risotos maravilhosos, lasanha incrível sem queijo (molho de carne apenas, maravilha mesmo), e o prato típico local, a bisteca alla fiorentina, que é até agora a melhor carne q já comi na vida. Então a cozinha italiana até aqui para mim foi isso: as coisas que já conhecia, que se transformaram nas melhores que já comi na vida. Não é pouco, hein?
E ainda teve os gelatos: de caqui, bacio e pistache, os melhores. Só a pizza achei estranha, a massa parecia um pão. Mas gostosa também, com deliciosos recheios, de um peperoni primoroso e funghi, mais funghi, como comi funghi nessa viagem. É época de funghi porcini.
Foram quatro dias nessa cidade magnífica que é Firenze, e eu poderia ter escrito logo, para não perder nada. Não o fiz e agora me escapam varias coisas; mas em suma, adorei muito a cidade, me senti muito bem na Itália (em alguns poucos momentos lembrei-me da querida Bela Vista, minha casa por quatro anos). Os monumentos todos, a catedral principal de Firenze, que fica na Praça do Duomo, e é a coisa mais magnífica que já no que se refere ao assunto catedral (também não vi muita coisa mundo afora, mas enfim marido já viu e conmpartilha). Majestosa, lindíssima, com um batistério igualmente magnífico. Impressiona mesmo.
E a comida... Olha. Paris é uma maravilha da culinária, como se sabe. Mas em Paris, muitas das vezes a comida é uma novidade. Se eu já conheço, já comi, na maioria das vezes não é trivial, não como em casa toda semana, etc. e tals. Já na Itália, a maioria das coisas que comi me são muito familiares. Eu cozinho ótimos risotos em casa, boas massas e bons molhos. Mas. Não faço o melhor risoto de funghi porcini que já comi na vida. Tampouco o melhor tagliatelle salteado na manteiga de um jeito tão primoroso que vou te contar, não empapa a massa nem um tiquinho que seja. Então, eu comi coisas maravilhosas na fonte, por assm dizer. E a fonte não me deixou nem um pouco desapontada, ao contrário. Comi risotos maravilhosos, lasanha incrível sem queijo (molho de carne apenas, maravilha mesmo), e o prato típico local, a bisteca alla fiorentina, que é até agora a melhor carne q já comi na vida. Então a cozinha italiana até aqui para mim foi isso: as coisas que já conhecia, que se transformaram nas melhores que já comi na vida. Não é pouco, hein?
E ainda teve os gelatos: de caqui, bacio e pistache, os melhores. Só a pizza achei estranha, a massa parecia um pão. Mas gostosa também, com deliciosos recheios, de um peperoni primoroso e funghi, mais funghi, como comi funghi nessa viagem. É época de funghi porcini.
Aí tem mais uma observação importante a fazer, e se refere ao Museu Uffizi. Esse museu me impressionou muito, pelo óbvio, se trata do maior acervo do renascimento existente no mundo. Mas aí temos o gancho interessante: onde mais poderia estar o maior museu renascentista do mundo que não no lugar onde tudo aconteceu? Mas quem freqüentou outros grandes museus mundo afora sabe que a coisa não é bem assim. O Louvre tem um acervo sobre Egito incrível, mas tá na França, né? Qual a relação com o Egito e etc. e tals. E a relação a gente já sabe, é sempre uma relação de dominação. Mas voltando à vaca fria, o que eu quero dizer é que adorei ver um Museu contando a sua própria história. O maior acervo renascentista do mundo está exatamente no Palácio dos Médicis, que bancaram aquela coisa toda. Firenze conta a si mesmo, e eu adorei estar ali, e ver as obras dos artistas "locais", e andar pelo palácio e saber que por ali passaram todos eles. Enfim. Um povo que tem o privilégio de se contar. Achei o máximo.
5 de nov de 2010
Diario de viagem II
03.11.10
Onze horas depois de uma boa noite de sono, acordei achando que estava em casa, qual minha surpresa. Estava em Paris.
E jah que é assim, fomos tomar nosso café da manha em uma deliciosa boulangerie em Montparnasse, de nome Le Moulin de La Vierge. Nada menos que espetacular essa boulangerie, que tem a melhor torta de maça que jah comi na vida. Além de um delicioso pain aux chocolat, delicia das delicias. Marido morava no bairro e por isso conhece o lugar, que é uma boulangerie, mas agora tem uma mesinha em que se pode saborear as delicias do lugar. Uma senhora francesa entrou para comprar sua baguette e reparou: as xicaras que nos serviram eram raras de se encontrar atualmente em Paris. Chique minha gente. Muito chique.
Depois, as compras. Trouxe poucas roupas, porque me lembrava que quando vim à Paris era facil achar roupas no meu tamanho, que me serviam maravilhosamente, coisa impossivel no Brasil atualmente. Estou flertando com as lojas de tamanhos grandes, dado o padrao chines de modelagem brasileira. Pois muito bem, fui às compras.
Passeei por uma galeria em Montparnasse e comprei roupas boas e calças que pareciam ter sido costuradas sob medida. Agora pasmem: tudo isso na C&A. Vale a dica de que a C&A tem coisas boas, de qualidade e a preços honestos. Nao chega a ser baratinho, é preciso lembrar que estamos na Europa, mas ha boas pechinchas, especialmente quando se trata de la e cashmere. Comprei uma calça de la, por exemplo, bem mais barata do que encontraria no Brasil.
Dai que perdi a hora e tivemos que sair correndo, pois o trem para Firenze sairia em uma hora, ainda teriamos que almoçar, e ai na pressa o almoço nao foi muito glamuroso, comemos Kebab. Marido adora, eu ainda nao tenho uma opiniao formada. Aproveitamos para passar em outra boulangerie, comprar sanduiches de queijo gruyère e sair correndo pra fazer outra mala, depois correr para a estaçao de Bercy e de lah pegar o trem para Firenze.
Vale uma nota: o metro estava com problemas e tivemos que pegar um taxi para estaçao, que custou sete euros, ou quase vinte reais. Veja bem. Paga-se vinte reais num piscar de olhos no taxi em Sao Paulo. E com isso vai-se desconstruindo o mito de que Paris eh tao, tao, tao mais cara. Volto a isso logo mais.
p.s. faltam acentos no teclado italiano, como se pode peceber. mas tem è, à, ò e ù, tudo acentuado jah. queria saber como eles usam ;)
4 de nov de 2010
Diário de viagem
A eleição da primeira mulher presidenta do Brasil merece um post que eu farei atrasada, quando voltar de viagem. Porque esta, a viagem, estava marcada para 01/11/10, e isso posto, aqui estou: Firenze. Mas comecemos do começo.
01.11.2010
Em São Paulo, uma correria sem fim, saímos de casa às cinco e meia, tendo que chegar ao aeroporto às sete, e quase perdemos o vôo, pois chegamos à sete e quarenta. A agradabilíssima Marginal Tietê se despedindo da gente e etc. e tals.
02.11.10
Chegamos à Zurich depois de uma viagem cansativa, em poltronas indecentes de tão minúsculas. Além disso, um indivíduo muito do mal educado na nossa frente, tornando a viagem bastante desagradável. Mas enfim chegamos a Zurich e de lá mais uma hora até Paris.
E Paris nos deu as boas vindas com suas lindas cores de outono, amarelas e alaranjadas. Do RER, o trem que liga o aeroporto Charles De Gaulle à Paris, vê-se as cités, que são as habitações na periferia de Paris. Do trem para o metrô, e nada de escadas rolantes, um sobe e desce de mala pra lá e pra cá, por fim chegamos à estação Corvissart, no bairro da Buttes aux Cailles, antigo quartel general da Comuna de Paris, bairro que estamos hospedados. Vale dizer que não teve escada que me inibisse de comprar o Le Monde que anunciava a primeira mulher presidenta do Brasil, com uma foto da festa da Paulista na capa.
Esse bairro é hoje um bairro de classe média boêmia, e com isso, um bairro de estudantes. Muitos restaurantes, algumas lojas, uma boulangerie bem pertinho do apartamento que estamos hospedados: estamos muito bem por aqui.
Marido saiu para comprar algo para comermos e algo para comer em Paris é sempre algo. E aqui vale o parênteses para quem ainda não sabe: marido morou em Paris durante 4 anos, o que faz com que a experiência de Paris para mim seja, alem de tudo, privilegiada. E assim eme trouxe baguete, patê de campagne, quichê louraine e um bourdeaux haute medoc para iniciarmos os trabalhos em Paris.
Resolvemos não dormir para entrar no fuso, então partimos para o Louvre, eu queria ver o Sena. Um ônibus em frente de casa e em poucos minutos estávamos na Rue de Rivoli, dali a pouco no Louvre, e logo depois em Saint Germain des Près, onde sentamos para um vinhozinho no café Les Deux Magots, um dos café onde iam Satre e Simone. Lembrei dela, como não?
Dali de volta para casa, para o sono dos justos. E dos sortudos, é claro ;
4 de out de 2010

Eu estava muito otimista com a eleição da Dilma hoje, no primeiro turno. Era assim que eu queria: no primeiro turno, queria nossa festa hoje. Teremos que esperar um pouco mais.
Continuo, no entanto, acreditando na vitória da Dilma dia 31. E acredito nisso porque acredito na vitória de um projeto político que melhorou substancialmente a vida das brasileiras e brasileiros desse país.
Falo em projeto político, e insisto, especialmente quando ouço muitas pessoas dizerem que o PT e o PSDB são "a mesma coisa", e por isso, argumentam em favor de uma "terceira via". Existe, em parte dos eleitores de Marina Silva, a idéia de que o PT e o PSBD não diferem. E eu digo, afirmo, repito e argumento: o PT tem um projeto de país que foi colocado em prática nos 8 anos do governo Lula. Um projeto de política social, de política externa, de política econômica, um projeto de democracia participativa. Esse projeto difere, e muito, do projeto tucano. E é esse o ponto a ser explorado nesse segundo turno.
Sim, eu gostaria muito de eleger a primeira mulher presidenta da república do meu país hoje. Mas espero que o segundo turno seja o momento de expor as diferenças existentes entre os dois projetos de país que estão em jogo nessa eleição. Espero escrever sobre isso nos próximos dias, e não imediatamente, porque tem uma seleção de doutorado no meio do caminho. Mas conversemos, nesse segundo turno, sobre projetos de país. E nesse debate, tenho certeza: o projeto que Dilma Roussef representa é imbatível.
29 de set de 2010
Links
Aproveitando uma popularidade emprestada dos queridos blogs que linkaram meu texto, recomendo a leitura dos textos a seguir, ainda no tema eleições:
- Texto de um amigo querido, pesquisador do samba paulistano, que declara seu voto no Netinho.
- Texto do NPTO, para quem ainda não leu, que declara seu voto em Dilma Rousseff.
- Texto autobiográfico da Maria Frô, que é também declaração de voto em Dilma.
E faz uns dias que só falto dormir com meu broche que me acompanha em tantas campanhas. Daqui até o segundo turno, que acredito, São Paulo levará Mercadante.
28 de set de 2010
Vamos eleger Dilma Rousseff no primeiro turno
"a novidade é que o Brasil não é só litoral
é muito mais, é muito mais do que qualquer zona sul
tem gente boa espalhada por esse Brasil
que vai fazer desse lugar um bom país"
Milton Nascimento/ Fernando Brant
é muito mais, é muito mais do que qualquer zona sul
tem gente boa espalhada por esse Brasil
que vai fazer desse lugar um bom país"
Milton Nascimento/ Fernando Brant
Na Carta Capital de duas semanas atrás, Mino Carta fala da incapacidade da maioria privilegiada entender um Brasil diverso daquele por eles sonhado, cultores que são de um passado que os fez donos do poder. E eu gostei muito de ler essas observações, porque vai de encontro a coisas que tenho pensando e aos poucos vão tomando forma na minha cabeça.
A quem a minoria privilegiada pode creditar a"culpa" pela eminente derrota nas eleições presidenciais? Culpará o Serra? O aparelhamento do Estado pelo PT-polvo? O "evidente" totalitarismo lulista? Nada disso parece dar conta, por mais esforçadas que sejam as vozes que pronunciam.
E a qualquer pessoa de bom senso tudo isso soa patético. Ontem, no debate, Serra disse que o PT prometeu acabar com o plano real. Um disparate, qualquer um de nós bem lembra que o tom da candidatura que elegeu Lula em 2002 era bem outro. Ou se esqueceu o candidato da famosa "carta aos brasileiros"? Digo isso para afirmar que essa bobajada golpista não serve a absolutamente nada e não tem poder explicativo nenhum. Por que o eleitor brasileiro escolhe pela continuidade do governo do PT?
Eu digo a vocês minha modesta opinião. Que é a mesma que eu tinha em 2002 e em 2006, tendo sido apenas beneficiada por anos de pesquisa empírica durante todo esse governo do qual falamos agora. Minha opinião é a de que o PT tem um projeto claro de nação, que foi colocado em prática nos últimos oito anos. Esse projeto de nação - e aqui vou resumir de forma um tanto grosseira - é basicamente um projeto de inclusão, que como o próprio governo coloca em seu "lema", é um projeto de "Um Brasil de Todos".
Nesse projeto de inclusão, nada mais coerente do que um projeto de transferência de renda que se torna a base da política social desse governo. Um projeto que foi pensado, elaborado, executado e ainda hoje é refletido e gerido por gente que estudou muito sobre pobreza, mas que além, participou intensamente do debate sobre formas de enfrentamento da pobreza no Brasil, conjugando acadêmicos, movimentos sociais, partido, igreja. E disso deriva o óbvio, mas que às vezes se esquece: o PT é um partido de bases.
Esse partido de bases efetivou uma política nacional de assistência social, aprovada numa conferência*, em 2003, que criou o SUAS - Sistema Único da Assistência Social. Isso mesmo, o programa guarda semelhanças com o SUS. E aconteceu no governo Lula, onde teve espaço de se consolidar a partir das demandas da sociedade organizada que tentava, desde 1993, com a publicação da LOAS - Lei Orgânica da Assistência Social, se efetivar como política de direito. E e eu vou escrever uma tese sobre esse processo todo, na qual poderemos entender também todas as tentativas de desmonte** desse processo ocorridas nos oito anos de governo FHC. Vocês poderão conferir daqui a quatro anos.
Então que eu começo a falar muito e me embanano, me empolguei com meu objeto de estudo, mas eu tava falando mesmo é do projeto de nação, né? Um projeto de inclusão. Um projeto de governar para todos. E todos são todos, o que significa que os privilegiados não ficaram de fora. A gente bem queria que ficasse. Mas tão aí. E tão reclamando ainda. Por quê?
Porque a minoria privilegiada desse país é tacanha. E não suporta ver a figura do Lula, não suporta ver o pobre sair da linha da miséria e passar a consumidor e foco de pesquisa de mercado (vocês sabiam que as pesquisas de mercado para o público baixa renda cresceram enormemente no Brasil? também trabalho com isso, que nem só de reflexões acadêmicas vive esta que vos fala). Não suporta e não considera a hipótese de viver num país que ofereça mais dignidade ao cidadão. Prefere o carro blindado e os sistemas de segurança ao Bolsa Família e o ProUni. Porque precisa se diferenciar. É isso que a minoria privilegiada que lê aquela revista busca, freneticamente. Diferenciar-se desse "povinho".
Mas esse pessoal tem que engolir, agora, o voto racional do povinho. Porque o discurso de "Lula manipula os pobres com esmola"é risível. Diga-me: se sua vida melhorasse substancialmente em 8 anos de governo, você não votaria pela continuidade desse mesmo governo? Alguém me mostra o que há de irracional nesse voto, que eu realmente não consigo enxergar.
Se o pessoal que lê aquela revista tirasse o cabresto veria, por exemplo, que o programa que tanto crirticam como "esmola" é bastante elogiado fora do Brasil, em países desenvolvidos, aqueles países nos quais eles tanto se espelham. Mas preconceito cega, sabemos.
De minha parte, vejo muito coerência no voto do eleitor brasileiro. A maioria de eleitores são exatamente aqueles para quem o governo Lula mirou atenção, cumprindo seu projeto. E isso é um processo, cheio de idas e vindas, altos e baixos. Mas vem acontecendo. Estranho a mim seria se o eleitor não desse a resposta que está dando. Aí sim seria irracional.
*e falando em conferência, está aqui na minha frente um livro de um cientista político que mostra o fortalecimento dos conselhos e conferências de políticas públicas durante os oito anos do governo lula. sabemos da importância desses espaços públicos de controle social e deliberação. o nome do livro é "experiências nacionais de participação social"e o organizador, leonardo avritzer.
**por outro lado, na gestão FHC, o programa comunidade solidária esvaziou o conselho nacional de assistência social, nomeou renat*o aragão para o CONSEA e cancelou, arbitrariamente, a IV Conferência da Assistência, que deveria ter ocorrido em 2002, mas só aconteceu em 2003. quem será mesmo autoritário e anti-democrático?
27 de set de 2010
Há dias ronda por aqui umas idéia sobre democracia e representação, assuntos que ocupam lugar cativo nessa minha cabeça que tem ciência política como formação. E a eleição traz muita lenha pra queimar sobre o assunto, por supuesto.
Aí lendo esse post da querida Mary W, e o post da Camila sobre Netinho de Paula, me deu vontade de escrever sobre representação.
Comecemos pelo Netinho, candidato a senador por São Paulo, pelo PCdoB. O dilema: votar ou não votar num candidato que tem em sua biografia caso ou casos de agressão à mulheres?
Para entrar nesse terreno, me parece pertinente voltar à idéia de representação. Então eu digo que acho bastante legítimo uma militante do movimento feminista não votar em Netinho. Porque essa militante tem uma causa, e essa causa luta contra exatamente isso, a violência contra mulher, nas suas várias e várias formas. Mas aí temos um manifesto de feministas que apoioam Netinho. E eu digo que acho bastante legítimo, também, esse voto e esse apoio. Por quê? Porque sou da turma do deixa disso e gosto de todo mundo? Não. Porque eu vejo uma clara representatividade nesse voto. Observem que as feministas que apoiam o Netinho são também militantes do PCdoB. Temos aí duas causas: o feminismo e o partido. E a junção entre movimento social e partido não é apenas comum, como de grande valia: agrega força e voz ao movimento.
Logo, ambas posições são legítimas e dignas de respeito. Seria possível argumentar que a posição das militantes feministas do PCdoB (e também do PT, que é da coligação) colocam o partido acima da causa feminista quando optam por um voto "pragmático" como esse, pois o partido está acima da causa, etc. etc. Seria possível, mas digo logo que discordo desse argumento. E acho raso. Porque existem alas do movimento feminista que acreditam que, através da política e da eleição de quadros do partido para o qual militam, pode-se obter ganhos efetivos para a causa feminista. Seja simplesmente (e sabemos que não é pouco) por colocar o assunto na pauta e fazer dele agenda de política, seja pelas políticas que efetivamente se consegue implementar quando se tem no senado um candidato do seu partido.
Porque, de feminismo eu entendo pouco, assumo e retomo daqui a pouco. Mas de política partidária entendo um pouquinho mais. E digo que é apressada a análise de quem não reconhece que depois de toda a discussão em torno do crime cometido por Netinho, ele vai para o Senado e se lixa para a questão da mulher, ou comete de novo um crime e etc. etc. etc. Netinho será MUITO cobrado por cada uma dessas mulheres militantes que o apoiam. Ou a gente vai achar que mulher é bobinha e tá apoiando o cara como pau mandado do partido? Não, a gente não vai achar isso, né? Peloamor.
Então meu resumo da ópera 1 é: as militantes feministas que apoiam Netinho acreditam que é melhor tê-lo como Senador do que perder a vaga para um Tuma (exemplo de respeito aos direitos humanos). Vão cobrar dele cada centavo desse apoio, porque não são bobinhas, ao contrário, são mulheres de luta, e diante disso, admiráveis. E tem mais uma coisa. São tão espertas, essas feministas, que se aliam a um cara com grande representatividade: um negro da Cohab.
E vamos lá: Netinho representa sim o negro, pobre, da periferia, chegando ao Senado. Tem apelo popular. Tem apoio em movimentos de base (e pra quem não conhece movimento de base é preciso dizer: isso é bem importante nas periferias, é uma das principais bases do PT e esses caras não são de brincadeira não: vão cobrar o cara também). Tem apoio do movimento negro. Porque, afinal de contas, essa também é uma causa, ou não é? Quem disse que o feminismo é mais legítimo que o movimento negro? Ninguém me disse, e espero, não diga nunca, nem insinue. São movimentos importantíssimos. Somados, nossa. Enchem de legitimidade o voto. E vamos lá: temos uma feminista candidata. Temos a chance de ter uma feminista e um representante do movimento de base apoiado pelo movimento negro. Não dá pra ter tudo, mas, sinceramente, temos bastante.
E eu confesso que sinto medo do voto elitista contagiando petistas e simpatizantes, sabe? O repúdio ao pagodeiro da Cohab, agressor de mulheres. Porque, se militantes feministas apoiam o cara (não são todas as militantes feministas, devemos ressaltar) e o que temos como alternativa a ele, de fato, é Tuma e Aloísio Nunes. Ah, minha gente. Sem demonizar, né?
E por fim eu faço minha declaração de voto. Pensei bastante para fundamentar meu voto no Netinho. E de antemão eu digo a vocês que seria difícil não votar pela orientação do partido. Porque, se estou falando de representação, preciso falar do que me representa. E antes de mais nada, em se tratando de política, o PT me representa. E eu tendo a confiar, na maioria esmagadora das vezes, nas orientações do meu partido. Mas em se tratando do Netinho, foi preciso refletir. Porque o feminismo também é uma causa no meu mundo. Embora eu não seja feminista no sentido literal do termo - e eu digo isso com muito respeito ao movimento: não tenho história no movimento feminista para me intitular uma feminista como me intitulo petista - eu considero a causa de suma importância, ela tem todo meu apoio, respeito, e a militância. Aí procurei saber o que as militantes feministas do partido pensavam. Conversei com amigas feministas. E formulei a minha argumentação de voto que é a seguinte: temos uma feminista no Senado. E com Netinho, teremos um representante do movimento de base. Eu considero essa dupla bastante representativa para o partido. E sei que, se o partido o escolheu, vai cobrar dele postura digna de um senador que foi apoiado pelo PT e sua história enquanto partido de base; as feministas que o apoiam vão cobrar também. E eu prefiro claro, dois senadores da nossa coligação do que um voto de protesto*. E eu prefiro também, que ele esteja do nosso lado, envergonhado pelo que fez e respondendo à altura do apoio que recebeu. E vocês podem dizer que eu sou otimista demais, que lhes digo, sou mesmo: é bacana quando a militância carrega otimisto, na minha modesta opinião. E otimismo foi o que eu nunca deixei de ter com meu partido. Até agora, temos ido muito bem.
*voto de protesto é o que seria possível nesse caso, pois a candidata feminista não tem chance de ganhar. mas fique claro: eu respeito o voto de protesto de feministas que fizerem essa opção. e acho legítimo.
**continuando a falar sobre representação, quero escrever sobre tiririca. mas me inventaram uma prova de francês na semana da eleição que embolou o meio de campo que já é naturalmente embolado. então, fico só na promessa, por enquanto.
***se você não leu o post abaixo, acho pertinete nessa última semana de campanha. assinado: a modesta.
Aí lendo esse post da querida Mary W, e o post da Camila sobre Netinho de Paula, me deu vontade de escrever sobre representação.
Comecemos pelo Netinho, candidato a senador por São Paulo, pelo PCdoB. O dilema: votar ou não votar num candidato que tem em sua biografia caso ou casos de agressão à mulheres?
Para entrar nesse terreno, me parece pertinente voltar à idéia de representação. Então eu digo que acho bastante legítimo uma militante do movimento feminista não votar em Netinho. Porque essa militante tem uma causa, e essa causa luta contra exatamente isso, a violência contra mulher, nas suas várias e várias formas. Mas aí temos um manifesto de feministas que apoioam Netinho. E eu digo que acho bastante legítimo, também, esse voto e esse apoio. Por quê? Porque sou da turma do deixa disso e gosto de todo mundo? Não. Porque eu vejo uma clara representatividade nesse voto. Observem que as feministas que apoiam o Netinho são também militantes do PCdoB. Temos aí duas causas: o feminismo e o partido. E a junção entre movimento social e partido não é apenas comum, como de grande valia: agrega força e voz ao movimento.
Logo, ambas posições são legítimas e dignas de respeito. Seria possível argumentar que a posição das militantes feministas do PCdoB (e também do PT, que é da coligação) colocam o partido acima da causa feminista quando optam por um voto "pragmático" como esse, pois o partido está acima da causa, etc. etc. Seria possível, mas digo logo que discordo desse argumento. E acho raso. Porque existem alas do movimento feminista que acreditam que, através da política e da eleição de quadros do partido para o qual militam, pode-se obter ganhos efetivos para a causa feminista. Seja simplesmente (e sabemos que não é pouco) por colocar o assunto na pauta e fazer dele agenda de política, seja pelas políticas que efetivamente se consegue implementar quando se tem no senado um candidato do seu partido.
Porque, de feminismo eu entendo pouco, assumo e retomo daqui a pouco. Mas de política partidária entendo um pouquinho mais. E digo que é apressada a análise de quem não reconhece que depois de toda a discussão em torno do crime cometido por Netinho, ele vai para o Senado e se lixa para a questão da mulher, ou comete de novo um crime e etc. etc. etc. Netinho será MUITO cobrado por cada uma dessas mulheres militantes que o apoiam. Ou a gente vai achar que mulher é bobinha e tá apoiando o cara como pau mandado do partido? Não, a gente não vai achar isso, né? Peloamor.
Então meu resumo da ópera 1 é: as militantes feministas que apoiam Netinho acreditam que é melhor tê-lo como Senador do que perder a vaga para um Tuma (exemplo de respeito aos direitos humanos). Vão cobrar dele cada centavo desse apoio, porque não são bobinhas, ao contrário, são mulheres de luta, e diante disso, admiráveis. E tem mais uma coisa. São tão espertas, essas feministas, que se aliam a um cara com grande representatividade: um negro da Cohab.
E vamos lá: Netinho representa sim o negro, pobre, da periferia, chegando ao Senado. Tem apelo popular. Tem apoio em movimentos de base (e pra quem não conhece movimento de base é preciso dizer: isso é bem importante nas periferias, é uma das principais bases do PT e esses caras não são de brincadeira não: vão cobrar o cara também). Tem apoio do movimento negro. Porque, afinal de contas, essa também é uma causa, ou não é? Quem disse que o feminismo é mais legítimo que o movimento negro? Ninguém me disse, e espero, não diga nunca, nem insinue. São movimentos importantíssimos. Somados, nossa. Enchem de legitimidade o voto. E vamos lá: temos uma feminista candidata. Temos a chance de ter uma feminista e um representante do movimento de base apoiado pelo movimento negro. Não dá pra ter tudo, mas, sinceramente, temos bastante.
E eu confesso que sinto medo do voto elitista contagiando petistas e simpatizantes, sabe? O repúdio ao pagodeiro da Cohab, agressor de mulheres. Porque, se militantes feministas apoiam o cara (não são todas as militantes feministas, devemos ressaltar) e o que temos como alternativa a ele, de fato, é Tuma e Aloísio Nunes. Ah, minha gente. Sem demonizar, né?
E por fim eu faço minha declaração de voto. Pensei bastante para fundamentar meu voto no Netinho. E de antemão eu digo a vocês que seria difícil não votar pela orientação do partido. Porque, se estou falando de representação, preciso falar do que me representa. E antes de mais nada, em se tratando de política, o PT me representa. E eu tendo a confiar, na maioria esmagadora das vezes, nas orientações do meu partido. Mas em se tratando do Netinho, foi preciso refletir. Porque o feminismo também é uma causa no meu mundo. Embora eu não seja feminista no sentido literal do termo - e eu digo isso com muito respeito ao movimento: não tenho história no movimento feminista para me intitular uma feminista como me intitulo petista - eu considero a causa de suma importância, ela tem todo meu apoio, respeito, e a militância. Aí procurei saber o que as militantes feministas do partido pensavam. Conversei com amigas feministas. E formulei a minha argumentação de voto que é a seguinte: temos uma feminista no Senado. E com Netinho, teremos um representante do movimento de base. Eu considero essa dupla bastante representativa para o partido. E sei que, se o partido o escolheu, vai cobrar dele postura digna de um senador que foi apoiado pelo PT e sua história enquanto partido de base; as feministas que o apoiam vão cobrar também. E eu prefiro claro, dois senadores da nossa coligação do que um voto de protesto*. E eu prefiro também, que ele esteja do nosso lado, envergonhado pelo que fez e respondendo à altura do apoio que recebeu. E vocês podem dizer que eu sou otimista demais, que lhes digo, sou mesmo: é bacana quando a militância carrega otimisto, na minha modesta opinião. E otimismo foi o que eu nunca deixei de ter com meu partido. Até agora, temos ido muito bem.
*voto de protesto é o que seria possível nesse caso, pois a candidata feminista não tem chance de ganhar. mas fique claro: eu respeito o voto de protesto de feministas que fizerem essa opção. e acho legítimo.
**continuando a falar sobre representação, quero escrever sobre tiririca. mas me inventaram uma prova de francês na semana da eleição que embolou o meio de campo que já é naturalmente embolado. então, fico só na promessa, por enquanto.
***se você não leu o post abaixo, acho pertinete nessa última semana de campanha. assinado: a modesta.
11 de set de 2010
"pensou que eu não vinha mais, pensou?
cansou de esperar por mim?
acenda o refletor, apure o tamborim,
aqui é meu lugar, eu vim"
cansou de esperar por mim?
acenda o refletor, apure o tamborim,
aqui é meu lugar, eu vim"
Tenho sentido saudade do meu blog, de escrever de verdade, e não de vez em vez umas coisinhas pequenas. E voltar ao blog encerra uma metáfora de voltar pra casa.
Porque nos últimos três anos eu estive fazendo trabalhos pelo Brasil e por Moçambique, o que me tirou de casa por muito tempo, levando para lugares com internet ruim e um cansaço que realmente não me davam o combustível necessário para escrever, ou estudar, ou até mesmo um bocado de outras coisas que eu gosto, mas ficaram meio que em suspenso nos últimos anos.
Acontece que agora eu estou voltando. Já avisei aos empregadores que não posso viajar para ali e acolá o tempo todo: o projeto é iniciar um doutorado ano que vem. E se eu viajar, constantemente, vou no máximo à Campinas toda semana, caso a Unicamp seja a casa que me acolha. Com isso, esse escritório caseiro do qual escrevo agora, junto com esse notebook passam a ser morada e companheiro de longa jornada. Então estarei por aqui, bastante. Espero que escrevendo sobre o que vejo e penso. Essa agora é a vontade.
E em época de eleição, a vontade é de dizer que, não obstante todas as coisas chatas e desalentadoras que uma eleição carrega - mentiras, sujeira, manipulação e manifestação de preconceito - eu estou muito feliz com essa caminhada que, espero muito, dará a vitória à primeira mulher presidenta do Brasil. Que bom que o meu governo vem cumprindo seu mandato da forma que fez e faz, que bom que eu o defendi mesmo quando tudo na minha cabeça ficou confuso, que boa essa sensação de que existe uma construção em andamento e eu sou parte dela, como são todos os brasileiros que acreditam que podemos construir um país diferente, ainda que não tenhamos feito uma revolução, ainda que persistam coisas que a gente não gosta, ainda que a gente conviva com o bom e o ruim tão pertinho e às vezes misturado. Eu vejo um caminho de muito amadurecimento nesses últimos anos, em mim e no meu país. E por isso, a revelia de toda manipulação, mentiras e desrespeito com o eleitor, o candidato da oposição cai ainda mais nas pesquisas depois da última tentativa de escândalo. Se isso não é notícia pra ficar feliz, o que mais?
18 de ago de 2010
no sonho de quem
você vai e vem
com os cabelos
que você solta?
(chico buarque)
você vai e vem
com os cabelos
que você solta?
(chico buarque)
Às vezes eu gosto de adentrar madrugada estudando, escrevendo, ficamos o silêncio do mundo e eu. No antigo apartamento, ficávamos eu e o barulho da Bela Vista: cachorro, buzinas, de vez em vez um sambinha rolando na quadra da Vai-vai, carros e mais carros rumo à Nove de Julho. Mas aqui, na divisa Pinheiros-Jardins, cujo "quintal" são as belas casas da elite paulistana, somos o silêncio do mundo e eu. Ouvi agora um barulho do caminhão, deve ser coleta de lixo. O barulho não passa disso, nem os cães ladram de madrugada.
E de vez em quando eu gosto. Agora mesmo, escrevi um bocadinho mais. O mestrado foi todo assim, a fase de escrita: só funcionou madrugada adentro. Mas o doutorado não será. Afinal, são quatro anos de processo. E além, hoje tenho cama conjunta com marido gostoso, quentinho e aconchegante, motivo suficiente para eu querer dormir em horários ditos normais. Além do afinal, teremos filho, e se eu passar madrugada em claro não será necessariamente para estudar. Então essa vida de madrugada adentro não deverá ser a regra de estudo. Mas às vezes, é absolutamente necessária para eu concentrar. Hoje foi.
E hoje, eu senti bastante, a minha vontade crescente de ter um filho.
15 de ago de 2010
Pão de milho assando no forno. E eu voltando à cozinha, aos pães e doces que tenho aprendido. Mas que não posso comer muito, e todo aquele blablabá que já sabemos.
Ando muito pelo twitter, e aquilo é um vício. Além de que realmente sabemos que estamos sendo lidos. Acho que tenho hoje dois leitores aqui no blog. Mas isso nem é o que importa tanto, não escrevo apenas para ser lida.
Ando muito pelo twitter, e aquilo é um vício. Além de que realmente sabemos que estamos sendo lidos. Acho que tenho hoje dois leitores aqui no blog. Mas isso nem é o que importa tanto, não escrevo apenas para ser lida.
Às vezes tenho vontade de escrever sobre a campanha presidencial e apenas, já que a estadual eu nem acompanho - engulhos de saber que teremos picolé de chuchu again, no reduto conservador do país. Mas no geral, sinto preguiça. Desânimo, também. Não pelo resultado, que deve vir por aí e acho ótimo, tô feliz com a eleição da Dilma. É pelo que ouço das pessoas. E não de quaisquer pessoas. Mas de pessoas informadas, inclusive daquelas que se dizem de esquerda. São as que por vezes mais de me desanimam.
Aí fico quieta. Ou só reclamo um bocadinho aqui, com meus poucos e bons leitores.
Aí fico quieta. Ou só reclamo um bocadinho aqui, com meus poucos e bons leitores.
28 de jul de 2010
"hoje eu não to afim
de corre corre, confusão
eu quero passar a tarde
estourando plástico bolha..."
Karina Buhr
de corre corre, confusão
eu quero passar a tarde
estourando plástico bolha..."
Karina Buhr
Há dias ensaio passar por aqui. E a lembrança do Francisco me estimulou a não mais postergar.
A verdade é que os últimos dias têm sido de uma relação intrínseca entre meu projeto de doutorado e eu. E isso envolve, mais do que estudar, entrar em contato com um bocado de coisas. O intervalo de três anos sem estudar. A distância de pessoas com as quais quis e precisei retomar o contato. Minhas muitas insatisfações em relação ao meu mestrado, o contato com uma possível orientadora. E claro. Estudar e escrever algo.
De modos que nada tem me ocupado tanto o tempo e a cabeça como esse projeto. Mas claro, as outras coisas todas existem. Tem a campanha eleitoral, que às vezes me deprime. Tanta bobagem sendo dita. Tem o Mano Menezes que saiu do timão, e agora, josé?. O fato de que, para estudar, não peguei nenhum trabalho esse mês, nem pegarei no próximo, apesar de que a gente precisa de dinheiro nessa vida.
E no meio de tudo, tem meu aniversário, no próximo domingo. Deu tempo de pensar em algo bacana, reservar uma pousada nas montanhas. Na sexta vamos para Gonçalves, marido e eu. Para viver o que há de melhor tem , que conforta, alegra e faz com que qualquer preocupação ou dificuldade seja menor, seja suportável.
E no meio de tudo, tem meu aniversário, no próximo domingo. Deu tempo de pensar em algo bacana, reservar uma pousada nas montanhas. Na sexta vamos para Gonçalves, marido e eu. Para viver o que há de melhor tem , que conforta, alegra e faz com que qualquer preocupação ou dificuldade seja menor, seja suportável.
13 de jun de 2010
"para captar o visual
de um chute a gol
e a emoção
da idéia quando ginga"
de um chute a gol
e a emoção
da idéia quando ginga"
Uma saudade do marido, saudade enorme. Mais uma semana até ele chegar, pra me esquentar nesse frio que perdura. Pra ver jogos comigo, todos, e comentar. Saudade apertada, mesmo.
E por falar em Copa, acabo de ver no Fantástico duas matérias de dar nojo. Tratando mulher como seres que não sabem o que é uma bola, sabe? Afinal, futebol é para seres superiores que entendem o que é impedimento. Que saco, que machisto tacanho. Primeiro, porque existem mulheres, como eu, que adoram futebol, e copa, especialmente. E existem homens que odeiam, eu conheço uma porção deles. Para que, então, insistir nesse clichê? Porque mulher quer o cartão de crédito do marido para passear no shoping enquanto ele vê jogo (sim, isso foi dito com todas as letras). Ô mundinho tacanho esse, dio mio.
Outra coisa lamentávelmente machista é essas matérias sobre dia dos namorados. Mulheres fazendo promessa para casar. Objetivo único na vida de uma mulher, né? Ou: solteiras querendo encontrar o amor no dia dos namorados. Gente, vamos olhar em volta? E me dá mais raiva ver mulheres se prestarem ao papel de participar dessas matérias ridículas. Homens e mulheres vivem as mesmas dores de solidão e nada disso piora por decreto no dia dos namorados. Alou?
E acabou o fim de semana, né? Pena, pena, só de imaginar acordar cedo amanhã, já sofro. Mas vamos lá, que, infelizmente, nem só de Copa e saudade vive essa mulher que vos fala.
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